Preconceito linguístico pode reproduzir desigualdades sociais na escola e no trabalho, aponta artigo científico de jornalista e professor

Danny de Souza Sobral Silveira

Preconceito linguístico pode reproduzir desigualdades sociais na escola e no trabalho, aponta artigo científico de jornalista e professor

Pesquisa de Danny de Souza Sobral Silveira foi publicada na Revista ARACÊ, periódico classificado como Qualis B1 pela CAPES

O jornalista e professor Danny de Souza Sobral Silveira publicou um artigo científico que analisa a relação entre preconceito linguístico e desigualdade social. Intitulado “Preconceito Linguístico e Variedades Não-Padrão: Como a Hierarquização entre Variedades de Prestígio e Estigmatizadas Reproduz Desigualdades Sociais na Escola e no Trabalho”, o estudo foi publicado em 3 de agosto de 2026 pela Revista ARACÊ, volume 8, número 8, páginas 1 a 16.

O trabalho possui o DOI 10.56238/arev8n8-024 e foi submetido em 22 de junho de 2026. A Revista ARACÊ, ISSN 2358-2472, que possui classificação Qualis B1 no sistema Qualis CAPES, referente ao quadriênio 2021-2024.

Falar diferente não significa falar pior

A pesquisa parte de um princípio fundamental da sociolinguística: toda língua viva apresenta variações. No português brasileiro, as diferentes maneiras de falar estão relacionadas a fatores regionais, sociais, culturais e às trajetórias dos próprios falantes.

De acordo com o estudo, a valorização de determinadas variedades linguísticas e a estigmatização de outras não decorrem de uma suposta superioridade linguística. Elas estão relacionadas, principalmente, às relações sociais de poder e prestígio.

Nesse contexto, a maneira como uma pessoa fala pode acabar sendo utilizada como critério para julgamentos sobre sua escolaridade, origem regional, classe social ou capacidade profissional.

O preconceito linguístico ocorre justamente quando uma determinada forma de expressão é considerada inferior ou inadequada não apenas em determinado contexto comunicativo, mas também como característica negativa de quem a utiliza.

Da sala de aula ao mercado de trabalho

Um dos principais argumentos apresentados por Danny Souza é que o preconceito linguístico pode se manifestar ainda no ambiente escolar e produzir consequências que ultrapassam os muros da escola.

Quando a variedade linguística utilizada pelo estudante em seu cotidiano é tratada exclusivamente como erro, sem considerar o contexto sociolinguístico, pode ocorrer um processo de estigmatização e insegurança linguística.

Segundo a análise desenvolvida no artigo, esse processo pode afetar a relação do estudante com a própria linguagem, com a escola e com o processo de aprendizagem. Em longo prazo, a desigualdade educacional pode contribuir para dificuldades no acesso a credenciais e oportunidades profissionais.

No mercado de trabalho, o estudo chama atenção para situações em que sotaque, vocabulário, pronúncia e construções linguísticas podem funcionar como marcadores sociais.

Dessa forma, candidatos podem ser avaliados não apenas por suas competências, formação e experiência, mas também pela maneira como se comunicam, especialmente quando sua variedade linguística é associada a estereótipos sobre origem ou condição social.

Norma-padrão deve ser ensinada, mas sem desvalorizar o aluno

O artigo faz uma ressalva importante: combater o preconceito linguístico não significa abandonar o ensino da norma-padrão.

Para o autor, o desafio está na maneira como esse conhecimento é apresentado ao estudante. A escola pode ensinar a norma-padrão e, ao mesmo tempo, reconhecer que os alunos chegam à sala de aula trazendo diferentes repertórios linguísticos.

A proposta é ampliar esse repertório, permitindo que o estudante domine diferentes formas de comunicação e compreenda quando e como utilizar cada uma delas, de acordo com a situação.

O estudo defende, assim, uma mudança da chamada “pedagogia da correção” para uma “pedagogia da variação”. Nesse modelo, o ensino deixa de se concentrar exclusivamente na oposição entre “certo” e “errado” e passa a trabalhar também com os conceitos de contexto, adequação comunicativa e diversidade linguística.

Pesquisa utiliza revisão integrativa da literatura

Para desenvolver o trabalho, Danny Souza utilizou uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa. A pesquisa reuniu contribuições da sociolinguística, da sociolinguística educacional brasileira, de estudos sobre norma linguística e de referenciais curriculares da educação básica.

Entre os autores utilizados como referência estão Marcos Bagno, Stella Maris Bortoni-Ricardo, Carlos Alberto Faraco e William Labov, além da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A partir desse conjunto teórico, o artigo estabelece uma relação entre a valorização social de determinadas variedades linguísticas e os mecanismos de reprodução de desigualdades presentes nos ambientes educacional e profissional.

Estudo reconhece limitações e aponta novos caminhos

O próprio estudo reconhece essa limitação e aponta a necessidade de novas pesquisas empíricas que possam investigar, por exemplo, o impacto do preconceito linguístico em processos de seleção profissional, contratação e ascensão na carreira.

O trabalho também propõe investigações sobre a distância entre as orientações presentes nos documentos curriculares e as práticas efetivamente desenvolvidas nas salas de aula.

Outra possibilidade apontada é a produção de materiais didáticos fundamentados na pedagogia da variação, capazes de trabalhar o ensino da língua portuguesa sem transformar a diversidade linguística dos estudantes em motivo de desqualificação.

Produção científica amplia atuação acadêmica

A publicação do artigo amplia a atuação de Danny de Souza Sobral Silveira também no campo acadêmico, especialmente nas áreas de Língua Portuguesa, Sociolinguística, Educação e Comunicação.

O estudo conclui que enfrentar o preconceito linguístico não representa apenas uma discussão sobre formas de falar. Trata-se também de discutir igualdade de oportunidades, acesso à educação e participação social e profissional.

A pesquisa defende uma educação que ensine os estudantes a dominar a norma-padrão e diferentes registros linguísticos, mas que, ao mesmo tempo, não desvalorize as variedades linguísticas que fazem parte de sua identidade e trajetória social.

Ciclo de palestras para docentes

Paralelamente à publicação do artigo científico, o professor Danny Souza está realizando um ciclo de palestras e treinamentos voltados para docentes, com foco na conscientização e no enfrentamento do preconceito linguístico no ambiente educacional.

A proposta é levar para escolas e instituições de ensino a discussão apresentada no trabalho acadêmico, aproximando a produção científica da prática pedagógica.

Instituições interessadas em conhecer o trabalho ou solicitar palestras e treinamentos podem entrar em contato pelo Instagram @tvdannysouza ou pelo telefone da assessoria: (62) 99651-0521.C