Especialistas alertam para riscos do calor extremo na Copa do Mundo de 2026

A menos de um ano da Copa do Mundo de 2026, que será realizada conjuntamente por Canadá, México e Estados Unidos, especialistas em fisiologia do exercício e medicina esportiva têm demonstrado preocupação com os impactos das altas temperaturas sobre a saúde e o desempenho dos atletas.

Considerado o evento esportivo mais assistido do planeta, o Mundial começará em 11 de junho e ocorrerá em um contexto climático desafiador. Com 2026 já sendo apontado como um dos anos mais quentes já registrados, pesquisadores alertam que as medidas adotadas até o momento pela Fifa podem não ser suficientes para proteger jogadores dos efeitos do calor extremo.

Um estudo recente analisou as condições enfrentadas pelos atletas durante a Copa do Mundo de Clubes da Fifa de 2025 e revelou dados preocupantes. Das 57 partidas disputadas na competição, 31 jogos — o equivalente a 54% do total — ocorreram com índice de temperatura de globo e bulbo úmido (WBGT) igual ou superior a 28°C. Em 13 partidas, esse índice ultrapassou os 30°C, enquanto duas foram realizadas acima dos 32°C.

De acordo com especialistas do Colégio Americano de Medicina Esportiva, partidas realizadas nessas condições apresentam riscos significativos à saúde dos atletas e, em muitos casos, não deveriam ocorrer. O principal receio é o aumento da incidência de doenças relacionadas ao calor, como exaustão térmica, desidratação severa e até mesmo insolação.

Os pesquisadores destacam que o estresse térmico afeta diretamente o desempenho esportivo, reduzindo a capacidade física dos jogadores, comprometendo a tomada de decisões e aumentando o risco de lesões.

Entre as alternativas apontadas para minimizar os riscos está a utilização de estádios com teto retrátil e sistemas de climatização. A estratégia já foi empregada na Copa do Mundo do Catar, em 2022, quando sete dos oito estádios utilizados contavam com sistemas de ar-condicionado para amenizar as temperaturas elevadas.

Outra medida já adotada pela Fifa é a realização de pausas obrigatórias para hidratação durante as partidas. Atualmente, o protocolo prevê um intervalo de três minutos em cada tempo de jogo quando as condições climáticas exigem. No entanto, os especialistas sugerem que a eficácia dessas pausas poderia ser ampliada com a oferta de bebidas geladas e toalhas resfriadas para os atletas.

Além das adaptações estruturais e médicas, os pesquisadores defendem mudanças táticas por parte das equipes. Em condições de calor intenso, estratégias baseadas na manutenção da posse de bola podem reduzir o desgaste físico em comparação com sistemas de alta pressão e marcação constante. O uso mais frequente de substituições ao longo das partidas também é apontado como uma ferramenta importante para preservar a saúde dos jogadores.

Os alertas foram apresentados em artigo assinado pelo professor Toby Mündel, titular da Cátedra de Pesquisa do Canadá em Ambientes Humanos Extremos da Universidade Brock, e pelo professor associado Samuel Penna Wanner, do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O trabalho foi publicado na plataforma The Conversation Brasil e reforça a necessidade de ampliar o debate sobre segurança climática no futebol internacional.

À medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, cresce a expectativa sobre quais medidas adicionais poderão ser implementadas para garantir que atletas, comissões técnicas e torcedores enfrentem as altas temperaturas com mais segurança.