Tensão com forças policiais pressiona governo paulista e amplia críticas na base aliada

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, enfrenta um período de desgaste político junto às forças de segurança pública, setor que teve papel decisivo em sua eleição e que agora manifesta crescente insatisfação com promessas consideradas não cumpridas. A crise ganhou força após críticas públicas de parlamentares ligados à chamada bancada da segurança e de entidades representativas de policiais, que cobram avanços em salários, benefícios e condições de trabalho.

Desde o início do mandato, o governo estadual destacou a segurança pública como uma de suas prioridades, inclusive com a escolha inédita de policiais para ocupar cargos estratégicos na Secretaria da Segurança Pública. A medida gerou expectativa entre integrantes das corporações de que mudanças estruturais e melhorias remuneratórias seriam implementadas rapidamente. No entanto, representantes da categoria afirmam que as medidas anunciadas não se traduziram em ações concretas que atendam às principais demandas do setor.

A insatisfação tem se refletido também na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde deputados da própria base governista passaram a cobrar publicamente o cumprimento de compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. Parlamentares que mantêm forte ligação política com as forças policiais relatam pressão crescente de suas bases eleitorais, que exigem respostas mais rápidas do governo estadual. O cenário se torna ainda mais sensível diante do período eleitoral, quando o apoio das corporações pode influenciar diretamente a disputa por cadeiras legislativas.

Entidades representativas de policiais civis, militares e outras categorias da segurança pública também intensificaram as críticas e planejam mobilizações para reivindicar melhorias nas condições de trabalho e reajustes salariais. Mais de trinta associações e sindicatos ligados às forças policiais articulam um protesto na capital paulista, com o objetivo de pressionar o governo a retomar negociações e apresentar propostas concretas de valorização profissional.

Entre os pontos que mais geraram descontentamento está o veto parcial do governador a um projeto aprovado pelo Legislativo estadual que tratava de regras previdenciárias para policiais. Embora a proposta tenha sido sancionada, o governo retirou o trecho que permitiria contabilizar, no cálculo da aposentadoria, até dez anos de atividade profissional exercida fora das corporações. A decisão foi interpretada por representantes da categoria como um retrocesso nas negociações e tornou-se um dos principais símbolos da insatisfação atual.

O aumento das críticas públicas evidencia um momento de tensão entre o Executivo estadual e um dos setores que tradicionalmente compõem sua base de apoio político. Especialistas avaliam que a capacidade do governo de restabelecer o diálogo com as corporações e apresentar soluções para as demandas salariais e estruturais poderá influenciar não apenas a estabilidade política da gestão, mas também o alinhamento de aliados estratégicos no Legislativo.

Enquanto as negociações não avançam, o governo enfrenta o desafio de equilibrar as restrições orçamentárias com as pressões políticas e corporativas, em um cenário em que a segurança pública permanece como tema central do debate político paulista.