Dinamarca se afasta de Davos em meio a tensões geopolíticas envolvendo Groenlândia
A decisão da Dinamarca de não participar do Fórum Econômico Mundial deste ano lança luz sobre o agravamento das tensões políticas no cenário internacional, especialmente na relação entre os Estados Unidos e a União Europeia. O encontro anual, realizado na cidade suíça de Davos, começa nesta segunda-feira (19) e segue até sexta (23), reunindo líderes políticos e empresariais de todo o mundo.
O afastamento dinamarquês ocorre em um momento de crescente disputa diplomática em torno da Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca. O tema voltou ao centro das atenções após manifestações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que reacenderam debates sobre interesses estratégicos dos Estados Unidos na região ártica. As declarações ampliaram o desgaste entre Washington e parceiros europeus, com reflexos diretos na política externa dinamarquesa.
Em nota enviada à imprensa, o Fórum Econômico Mundial confirmou que representantes do governo dinamarquês chegaram a ser convidados para a edição de 2026, mas ressaltou que a decisão sobre a participação cabe exclusivamente ao governo de cada país. A organização também confirmou oficialmente que não haverá representantes da Dinamarca no evento deste ano.
Embora o governo dinamarquês não tenha detalhado publicamente os motivos da ausência, o contexto internacional sugere um gesto político relevante. A Groenlândia ocupa posição estratégica no Ártico, tanto do ponto de vista militar quanto econômico, especialmente diante do degelo que amplia o interesse por novas rotas marítimas e recursos naturais. A retomada do tema por lideranças norte-americanas é vista por analistas europeus como fator de instabilidade nas relações transatlânticas.
A ausência da Dinamarca em Davos não passa despercebida em um fórum tradicionalmente marcado pela busca de consensos e pela diplomacia econômica. O encontro costuma servir como espaço informal para negociações e sinalizações políticas, o que torna o gesto dinamarquês ainda mais significativo.
A informação sobre a não participação foi divulgada inicialmente pela Bloomberg, reforçando a percepção de que o episódio transcende uma simples decisão logística. Em meio a um ambiente internacional cada vez mais polarizado, a escolha da Dinamarca evidencia como disputas territoriais e interesses estratégicos continuam a influenciar agendas globais e a dinâmica entre aliados históricos.