Cacá Silva: música, resistência cultural e o lançamento do EP “SER”

Cacá Silva é um dos nomes mais resistentes e autênticos da cultura popular do Distrito Federal. Músico, compositor, poeta, produtor cultural, apresentador de eventos e pioneiro da audiodescrição em shows musicais no DF, construiu uma trajetória marcada por quase quatro décadas dedicadas à música ao vivo, à produção cultural e à democratização do acesso à cultura.

Sua história artística começou nos anos 1980, período em que integrou a efervescente cena underground do rock brasiliense após experiências ligadas à Escola Art Música de Brasília, na 506 Sul. Ainda muito jovem, fundou a banda Imagem Obscura em 1987, grupo autoral citado com destaque em matérias do Correio Braziliense como uma das novíssimas bandas da Geração Rock Brasília.

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A relevância dessa trajetória também foi registrada no estudo acadêmico “Rock Autoral do DF”, desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), que reconhece a contribuição da banda e de Cacá Silva para a memória cultural da música brasiliense.

Em 1991, a Imagem Obscura transformou-se oficialmente na Banda Imagem, consolidando-se como uma das bandas populares mais versáteis e duradouras do DF. Ao longo das décadas, o grupo transitou entre rock, axé, forró, sertanejo, pagode e MPB, mantendo repertório autoral, identidade própria e forte conexão popular.

Além dos palcos, Cacá Silva também se destacou como produtor cultural e articulador da cena musical brasiliense, promovendo importantes circuitos culturais na Orla do Lago Paranoá e participando ativamente do fortalecimento das políticas culturais do Distrito Federal.

Ao longo de sua trajetória, recebeu homenagens do Senado Federal, Câmara dos Deputados, Câmara Legislativa do DF, além da Medalha do Seu Teodoro e do Prêmio FAC na área de Produção Cultural.

Reconhecido como pioneiro da audiodescrição em shows musicais realizados com recursos públicos no DF, passou a incorporar ações permanentes de acessibilidade cultural em seus projetos, fortalecendo práticas alinhadas à inclusão e à democratização do acesso à cultura.

Em 2025, aos 53 anos, recebeu oficialmente o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), passando a compreender de forma mais profunda características que sempre estiveram presentes em sua trajetória artística e humana.

Essa vivência inspirou o nascimento do EP independente “SER”, projeto musical desenvolvido ao lado da compositora Gabriela Amado. O trabalho reúne músicas inéditas que abordam pertencimento, máscaras sociais, invisibilidade emocional, hipersensibilidade e o direito de existir sem precisar esconder quem se é.

O EP será lançado nas principais plataformas digitais no dia 11/5 e traz as faixas:

• Direito de Pertencer
• Entre Máscaras e Luzes
• Me Olhe, Eu Existo
• Pura Vaidade
• Ser

Com influências do rock brasileiro, da música urbana e da poesia existencial, “SER” propõe uma abordagem humana e sensível sobre o autismo em adultos — tema ainda pouco explorado na música brasileira contemporânea.

Mais do que um projeto fonográfico, o EP nasce como um manifesto artístico sobre identidade, sensibilidade, exclusão, resistência emocional e pertencimento, transformando experiências pessoais em música, reflexão e diálogo social.

Com quase quatro décadas dedicadas à cultura popular do Distrito Federal, Cacá Silva reafirma no EP “SER” a arte como instrumento de identidade, resistência e pertencimento.