KK, o Rock Brasília e a permanência de uma trajetória

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Em 18 de junho de 1988, o Correio Braziliense dedicava a capa do Caderno 2 à expectativa em torno do show da Legião Urbana no Estádio Mané Garrincha. Na mesma edição, a reportagem “Eles abriram caminho para novas bandas” apresentava ao público artistas que representavam a nova geração do Rock Brasília, movimento que já começava a renovar a cena musical do Distrito Federal após o sucesso de grupos como Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude e outras bandas que projetaram Brasília para todo o país.

Entre os músicos citados estava KK, nome artístico utilizado por Cacá Silva na época, integrante da banda Imagem Obscura, grupo que anos depois daria origem à Banda Imagem. A matéria registrava um momento importante da música brasiliense: a chegada de uma nova geração de artistas que buscava criar sua própria identidade e ocupar espaço nos palcos da cidade.

A coincidência histórica é marcante. Enquanto a principal reportagem do Caderno 2 destacava a expectativa para o show da Legião Urbana, que se tornaria um dos acontecimentos mais lembrados da história do Rock Brasília, a matéria ao lado apresentava músicos que começavam a escrever seus próprios capítulos na cultura do Distrito Federal.


Mas KK não era apenas um músico daquela nova geração. Já atuava também como produtor cultural, participando da organização e realização dos próprios espetáculos da Imagem Obscura. A banda promovia apresentações autorais e independentes em Brasília, incluindo shows realizados no Teatro Garagem do SESC, onde KK exercia funções de produção, articulação e mobilização de público. Desde cedo, sua atuação ultrapassava os palcos, contribuindo diretamente para o fortalecimento da cena musical local.

Naquele mesmo período, além de integrar uma das bandas destacadas pelo Correio Braziliense, KK acompanhava de perto o movimento que transformava Brasília em uma das mais importantes referências musicais do país. Não era apenas testemunha daquela história; fazia parte dela.

O tempo passou. Muitas bandas encerraram suas atividades, outras mudaram de formação e a cena cultural passou por inúmeras transformações. No entanto, a trajetória iniciada na década de 1980 permaneceu ativa.

Hoje, conhecido como Cacá Silva, continua atuando profissionalmente como músico, produtor cultural, apresentador, mestre de cerimônias, audiodescritor e defensor da acessibilidade cultural. Sua caminhada atravessa quase quatro décadas de atividade ininterrupta, marcada pela realização de shows, festivais, projetos culturais, ações de inclusão e iniciativas voltadas à valorização da cultura brasileira.

Por isso, aquela reportagem publicada em 1988 possui um significado que vai muito além de uma simples citação jornalística. Ela registra um momento de renovação da música de Brasília e preserva a memória do início da trajetória de um artista que permaneceu em atividade ao longo das décadas, acompanhando e ajudando a construir a evolução cultural da capital do país.

Em 1988, o Correio Brasiliense apresentou KK como parte da nova geração do Rock Brasília. Em 2026, Cacá Silva continua nos palcos, produzindo cultura, defendendo a acessibilidade e ajudando a escrever a história cultural do Distrito Federal.