Uma troca pública de declarações entre aliados e familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro evidenciou divergências internas sobre a condução do combate às facções criminosas no Brasil. O embate envolveu o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-assessor especial da Presidência da República Arthur Weintraub, que atuou durante o governo Bolsonaro.
A controvérsia teve início após Eduardo Bolsonaro publicar, nas redes sociais, uma crítica direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mensagem, o parlamentar afirmou que o chefe do Executivo teria “pavor” de classificar facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Segundo Eduardo, essa suposta resistência estaria ligada à proteção de uma base eleitoral associada ao crime organizado, além de interesses pessoais.
A declaração provocou reação imediata de Arthur Weintraub, que adotou um tom duro ao rebater o deputado. Em resposta pública, o ex-assessor lembrou que o próprio Jair Bolsonaro, enquanto ocupava a Presidência, tinha prerrogativas legais para adotar a medida defendida agora pelo filho. “Teu pai podia ter decretado”, escreveu Weintraub, numa crítica direta à narrativa apresentada por Eduardo.
Na mesma manifestação, Weintraub afirmou que o tema do chamado “narcoestado” foi levado ao então presidente ainda durante o mandato. Segundo ele, a discussão ocorreu em 2021, mas não avançou. O ex-assessor declarou que Bolsonaro teria se recusado a aprofundar o debate, acusando o deputado e seu entorno de distorcerem os fatos. A mensagem terminou com ironia e provocação, ampliando o tom de confronto.
O episódio repercutiu no meio político e nas redes sociais, sendo interpretado como mais um sinal de fissuras dentro do campo bolsonarista. A divergência expõe visões distintas sobre segurança pública e sobre como lidar juridicamente com facções criminosas, tema recorrente no debate nacional.
Além disso, a troca de acusações reacende discussões sobre o uso político do combate ao crime organizado e sobre decisões que deixaram de ser tomadas durante governos anteriores. Ao mesmo tempo, coloca em evidência disputas internas por protagonismo e discurso, num contexto em que o bolsonarismo busca redefinir sua estratégia de oposição ao atual governo.
A polêmica reforça que, mesmo entre aliados históricos, o tema da segurança pública continua a gerar embates, revelando contradições entre discursos atuais e ações — ou omissões — do passado recente.