O Governo Federal anunciou a expansão do programa de microcrédito produtivo orientado, o AgroAmigo, para as regiões Norte e Centro-Oeste, ampliando as oportunidades de acesso a crédito e assistência técnica para agricultores familiares, comunidades indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. A medida representa um marco histórico, já que, pela primeira vez, recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO), tradicionalmente voltados a médias e grandes empresas, passam a ser destinados diretamente aos pequenos produtores.
Com orçamento reforçado em R$ 1 bilhão, a iniciativa deve alcançar mais de 100 mil famílias, promovendo inclusão produtiva em territórios que historicamente enfrentam maiores barreiras de acesso a serviços financeiros. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ressaltou que a política pública não só veio para ficar, como deve ser ampliada nos próximos anos. A previsão é que somente na Amazônia o volume de microcrédito atinja R$ 2,5 bilhões, somando operações da Caixa Econômica Federal e do Banco da Amazônia.
Crédito sob medida para o agricultor
Os valores disponibilizados variam de acordo com o perfil do beneficiário: R$ 8 mil para jovens de 18 a 29 anos, R$ 12 mil para homens e R$ 15 mil para mulheres, com possibilidade de acumular até R$ 35 mil por propriedade ao ano. Os recursos poderão ser aplicados tanto em investimentos de longo prazo — como construção de reservatórios, armazéns, sistemas de irrigação, recuperação de pastagens e implantação de pequenas agroindústrias — quanto no custeio do dia a dia, incluindo a compra de sementes, adubos e ração.
O programa também está associado a outras políticas de fortalecimento da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que asseguram mercado para a produção dos pequenos agricultores. “Não basta produzir, é preciso garantir renda e escoamento da produção”, destacou o ministro.
Acesso facilitado e desburocratizado
Um dos pontos centrais do AgroAmigo é a simplificação do acesso ao crédito. Para superar obstáculos logísticos em áreas de difícil alcance, a estratégia aposta em mutirões de crédito e no trabalho de agentes de campo habilitados por bancos públicos, que acompanham todo o processo — desde a proposta até a liberação dos recursos.
Além disso, o programa utiliza o aplicativo Conquista+, que permite a abertura de conta e o encaminhamento digital da solicitação. Para aqueles que vivem em localidades mais remotas, agentes credenciados realizam visitas presenciais às propriedades, assegurando que o crédito chegue de forma rápida e eficaz. Cooperativas, sindicatos e associações agrícolas também poderão orientar os produtores em cada etapa.
Nova rota comercial fortalece a região
Durante o anúncio, Waldez Góes destacou ainda a abertura de uma nova rota marítima entre a China e a Amazônia, com o primeiro navio atracando no Porto do Amapá. A conexão, partindo do Porto de Gaolan, deve reduzir significativamente o tempo de transporte de mercadorias e impulsionar o comércio internacional, especialmente nos setores ligados à bioeconomia e à produção sustentável.
A chegada do AgroAmigo ao Norte e ao Centro-Oeste simboliza mais que a concessão de crédito: representa a criação de um ambiente de oportunidades, capaz de transformar a realidade de milhares de famílias. Para regiões que historicamente enfrentaram dificuldades estruturais e de acesso a políticas públicas, o programa pode significar um divisor de águas, ampliando a produção, fortalecendo a economia local e promovendo inclusão social.